domingo, 13 de janeiro de 2019

HERANÇA GENÉTICA x HERANÇA GENEALÓGICA


Nos dias atuais, há a ampla divulgação de exames genéticos, ofertados por uma variedade de sites. Estes exames, a preços relativamente módicos, enviam ampolas e instruções ao usuário, que, por sua vez, faz a coleta do material e o laboratório (empresa/instituição) realiza o “mapeamento” dos cromossomos, fornecendo percentuais de sua “composição étnica” (Ex.: você pode ser 50% ibérico, 25% escandinavo/germânico, 25% africano; um breve exemplo).

Muitas pessoas, seja por propaganda dos próprios sites, seja por desconhecimento, confundem tais experimentos genéticos com o Estudo da Genealogia. Para genealogistas, isto é óbvio, mas, para iniciantes, faz-se a confusão. Em “nome” dos genealogistas, digo categoricamente: EXAMES GENÉTICOS NÃO REFLETEM EM NADA O ESTUDO DA GENEALOGIA, E MUITO MENOS O SUBSTITUI. E isto não é lobby deste genealogista amador. As explicações, seguem abaixo:

Nossa herança genética, vem dos antepassados diretos. Desta herança, 50% vêm de nosso pai, e 50% de nossa mãe; Se recuarmos mais uma geração, teremos 25% para cada avô e avó; Se irmos para os nossos bisavós, temos 12,5% de herança de cada bisavô e bisavó; e assim sucessivamente.

Se não levarmos em conta a endogamia (implexo), ou seja, não considerarmos ascendências repetidas / parentescos entre os nossos antepassados, na geração de nossos décimos avós, onde seriam 2.048 indivíduos, teríamos uma herança inferior a 0,05% por indivíduo. EM SÍNTESE: quando recuamos para antepassados mais remotos, em razão do grande número de ascendentes que temos, é remota a probabilidade de termos “traços genéticos” do mesmo, visto o grande número de antepassados que temos. Esta probabilidade apenas aumentará a medida que descendermos repetidamente deste indivíduo, com maior frequência e incidência (endogamia). Esta “redução de força” dos antepassados remotos, quanto a herança genética, entendo como um importantíssimo instrumento de adaptação das espécies: os genes (traços) dominantes, são transmitidos, ao longo da descendência, e sua herança será “mais forte e incisiva” nas gerações de antepassados mais próximas a você, onde, estes, por viverem em um ambiente de maior semelhança a você, transmitirão os genes que melhor se adaptarão a sua realidade ambiental. Esta breve demonstração matemática mostra, em termos práticos e simples, a evolução e adaptação das espécies em diferentes ambientes.

Portanto, aqui faz-se o “ponto chave”: você pode ser descendente de um indivíduo a várias gerações “atrás”, mas dificilmente, terá “herança genética” deste indivíduo. Vejamos, por exemplo, o caso de Carlos Magno, Imperador Franco. Este, viveu entre 742-814 de nossa era cristã. Eu, por exemplo, sou descendente algumas vezes deste, situando-o como 35º a 40º avô, dependendo da genealogia em estudo; Mesmo que eu seja descendente deste mais de cem vezes, ou até mil, ainda assim, numericamente, Carlos Magno ainda não teria “força genética” diante de bilhões de outros antepassados (número teórico, sem levar em conta as infindáveis endogamias) que teria vivido a seu tempo. Talvez, quem teria maior probabilidade de carregar sua herança genética nos dias atuais seriam os descendentes próximos das Casas Reais, em razão dos elevadíssimos casos de implexo e endogamia em ascendências reais; ainda assim, são remotas as chances desta herança se fazer presente com frequência nos dias atuais.

No entanto, apesar da grande afinidade com a genealogia, e aplicação em seus estudos, considerando-a insubstituível, fiz um exame de DNA, do My Heritage. Minha intenção, ao fazer este exame, foi verificar se o mesmo era preciso na descrição da história da formação dos povos que compõe minha ancestralidade.

Recebi, pelo correio, os cotonetes e as ampolas, fiz a coleta do material e enviei a amostra. O resultado, no geral, não me trouxe grandes surpresas (exceto uma), visto que, a GENEALOGIA, antes, já tinha me mostrado o caminho da história e formação dos povos brasileiro e português.




Com relação aos povos encontrados, faz-se necessárias breves observações:

IBÉRICO (47,90%): consiste nos povoadores iniciais da península ibérica. Os Lusitanos estão neste grupo; logo, é natural o elevado percentual destes;

NIGERIANO (16,80%): na verdade, entendo esta denominação como genérica, referindo-se provavelmente aos sudaneses, grande grupo povoador da porção sudoeste e central da África. Os bantos (outro povo africano) situava-se no centro sul do continente, englobando Angola, por exemplo. De ambos os povos, são descendentes grande parte dos homens e mulheres que foram escravizados e trazidos para o Brasil, na vergonhosa e lamentável escravidão, tão duradoura em nosso país. Eu já conhecia a minha ancestralidade africana, em meu ramo materno. Infelizmente, a escassez de documentos e registros não me permitiram “ir longe” nas pesquisas genealógicas.

ESCANDINAVO (12,50%): certamente, esta denominação se refere as tribos germânicas que invadiram o Império Romano, após o século V, cuja ocupação também ocorreu na península ibérica. Deve-se salientar que estes invasores/povoadores se constituíram na casta militar e nobreza portucalense e ibérica, visto que estes eram descendentes diretos dos visigodos e suevos. Obviamente, além destes, entendo que este grupo também poderia representar invasores vikings e a nobreza franco-germânica, que porventura ajudaram a formar a identidade portuguesa.

CENTRO-AMERICANO (7,70%): são os indígenas da porção centro-sul de nosso continente. Salvo engano, já li, há algum tempo atrás, que os grupos indígenas do centro-sul do Brasil não possuem relações étnicas com as tribos da Amazônia. Os Tupi e Guarani, neste caso, possuiriam relações genéticas/étnicas mais próximas dos Incas e Maias do que os índios Amazonenses. No meu caso, este percentual (7,7%) reflete quase que perfeitamente a minha ascendência com minha trisavó Luiza Maria D’Assumpção (6,25%), onde há relatos orais que esta seria indígena. O percentual restante (1,45%), seria oriundo dos antigos paulistas e bandeirantes.

GREGO (6,10%): certamente, refere-se a colonos que povoaram a Hispânia, na Idade Antiga. O que me surpreende, neste caso, é o elevado percentual. É uma herança significativa, se levarmos em conta a provável antiguidade desta ascendência.

NORTE-AFRICANO (2,80%): certamente, são cartagineses e mouros, que colaboraram no povoamento e formação da identidade dos povos ibéricos.

ITALIANO (2,30%): acredito que são povoadores romanos, que colonizaram a Hispânia e a Lusitânia. Até tenho um antepassado italiano, povoador da Ilha Terceira, no século XVI, mas, entendo que este, por si só, não teria “força genética”, entre tantos antepassados, para ser representado por percentual tão significativo.

SOMALI (2,20%): estes foram intrigantes! Embora conheça a minha ancestralidade africana, da costa oeste do continente, os somalis foi uma surpresa, justamente por estarem na costa oposta (leste) do continente, sendo também um percentual significativo. Pelo que sei, os africanos escravizados no Brasil eram, basicamente, bantos e sudaneses, não somalis. Em pesquisa rápida e informal na internet, percebi que portugueses possuem, na média, alguma herança somali. Minha “interpretação” é uma expansão destes genes via Islão. Poderiam ser soldados ou escravos, onde teriam expandido a medida que o rápido avanço dos muçulmanos ocorreu no Egito e no norte da África. Não consegui ainda achar literaturas que poderiam ajudar a entender a presença somali.

ORIENTE MÉDIO (1,70%): Certamente, são povos semitas (árabes e judeus). Se referem a povoadores muito antigos da península ibérica, onde os judeus, até pouco antes das conversões forçadas, conseguiram manter sua identidade. É de amplo conhecimento o grande fluxo migratório de cristãos-novos para o Brasil, em especial, para Minas Gerais.

Como comentado anteriormente, todos os povos, aqui descritos, e presentes em minha ancestralidade, demonstram tudo que a genealogia já tinha exposto. Em minhas pesquisas, já tinha conhecimento da ascendência indígena, africana e portuguesa. Quanto aos portugueses, em meu ramo paterno, consegui avançar até períodos remotos, na formação da Europa e de Portugal. Os resultados de DNA confirmaram toda a gênese das monarquias e nações estudadas na genealogia. 

Faço aqui uma observação: não tenho conhecimentos profundos de Biologia; portanto, se eu cometi algum equívoco quanto a nomenclatura genética e biológica, peço antecipadamente desculpas.


BIBLIOGRAFIA:

MY HERITAGE TEST (Saulo Henrique de Azevedo Franco) – Consultado em 24/09/2007


YOUTUBE VIDEOS:

Are You Genetically Related to Charlemagne? - DNA and Genealogy
https://www.youtube.com/watch?v=_vm6almBFEo

DNA Ethnicity Results Aren't What You Think

https://www.youtube.com/watch?v=u8lMfGqSrwg

 

Why am I only genetically related to 120 ancestors? - A Segment of DNA

https://www.youtube.com/watch?v=9g-VwtRd8ks

How many unique ancestors do you have?

https://www.youtube.com/watch?v=tgXu19LNYEk




sábado, 13 de outubro de 2018

JOÃO RAMALHO: REFLEXÕES SOBRE SUAS ORIGENS


Um dos personagens históricos mais antigos e misteriosos da História de São Paulo, e do Brasil, foi João Ramalho. Não seria exagero dizer que este homem foi a “ponte” entre o velho mundo e o novo mundo, cuja existência não só viabilizou a “integração” entre estes dois mundos, mas também, a simbolizou, visto seus filhos, todos mestiços. Sua descendência é enorme, tornando-se um ícone da formação e da identidade do povo brasileiro.

Mas, quem foi João Ramalho? Quais são as suas origens? Foi um explorador? Um condenado degredado? Um nobre? Um cristão-novo? Quem foi sua esposa? Quantos anos realmente viveu? Quais realmente são os seus filhos?

Seria, de minha parte, enorme prepotência e irresponsabilidade anunciar respostas para tais questões. O meu intuito, aqui, é apresentar uma breve revisão bibliográfica dos estudos e analisar o que temos até então. João Ramalho, já foi objeto de estudo de genealogistas brilhantes, mas, dada a escassez de documentos e fontes originais de seu período, torna-se praticamente impossível novas descobertas.
Primeiramente, para situar os leitores que porventura que não conhecem a história de João Ramalho, faço aqui, um breve resumo sobre sua vida, embasado na obra original de Silva Leme, a Genealogia Paulistana: era um português, de Vouzela, Viseu, filho de João Velho Maldonado e Catarina Afonso de Balbode, casado, uma primeira vez, com Catarina Fernandes de Vacas; deixou-a, em circunstâncias desconhecidas, rumando para o Brasil, onde não se sabe exatamente o período. Em 1532, quando Martim Afonso de Sousa chegou em São Vicente, encontrou-o, vivendo com uma filha do cacique Tibiriçá, onde João Ramalho serviu de interprete. Já tinha filhos mestiços e já estava integrado com os índios. Por volta de 1550, fundou a povoação da Borda do Campo, foi Alcaíde-Mór de Piratininga e chefiou uma expedição em 1562, contra os índios Tupiniquins. De acordo com uma cópia de seu testamento, que pertencia ao velho José Bonifácio, cujo original seria de 1580, menciona-se que sua vinda para o Brasil seria a 90 anos (cogita-se erro de interpretação do algarismo, onde seria 70 anos), tendo os seguintes filhos: André Ramalho, Joana Ramalho, Margarida Ramalho, Vitório Ramalho, Antônio de Macedo, Marcos Ramalho, Jordão (ou João) Ramalho e Antônia Quaresma.

Há alguns testemunhos também, de grande valia e importância. Faço aqui um breve resumo destas cartas (fragmentos), daquilo que é essencial:

- Há uma carta de Pero Corrêa, para o Pe. Balthazar Nunes, de 1551, relatando que um homem, que estava há uns 40 anos no Brasil, ameaçou um padre, cujo homem “já tinha bisnetos” com índias e era excomungado;

- Nóbrega, em carta de 31 de Agosto de 1553, também relatou sobre João Ramalho, em especial, do interesse do mesmo em se casar com sua esposa, “índia, filha dos maiores e mais principais desta terra”. Ele cita que o mesmo era parente do Pe. Paiva; ESTA INFORMAÇÃO, DE PARENTESCO, É DE GRANDE IMPORTÂNCIA.

- Anchieta ao Pe. Inácio de Loyola, em 1554:
“De facto, alguns cristãos filhos de pai português e mãe brasílica, que estão apartados de nós 9 milhas numa povoação de portugueses, não cessam nunca de esforçar-se juntamente com o pai por lançar a terra a obra que procuramos edificar com a ajuda de Deus pois exortam repetida e criminosamente os catecúmenos a apartarem-se de nós e a crerem neles, que usam arco e frechas como os índios, e a não fiarem em nós que fomos enviados aqui por causa de nossa maldade.  Com esses e semelhantes coisas conseguem que uns não creiam na pregação da palavra de Deus e que outra que parecia já termos encerados no redil de Cristo voltem aos antigos costumes e se apartem de nós para viverem mais livremente. (...) Este passou quase 50 anos nesta região, junto com uma concubina brasílica, e gerou muitos filhos: a salva-los dedicaram os irmãos de nossa Companhia todos os cuidados e canseiras.... Notando porém que nenhum fruto se obtinha dele, mas que ao contrário continuavam o maior escândalo, tanto o pai como os filhos, que estão unidos com duas irmãs e duas filhas do mesmo pai- começaram os Irmãos a exercer sobre eles algum rigor e violência, sobretudo separando-os da comunhão da Igreja. Mas eles, que deveriam ter mudado com esta medida, estão a tal ponto depravados, que nos têm o maior ódio e procuram prejudicar-nos de todos os modos, ameaçando-nos até de morte e esforçando-se para inutilizar a doutrina em que educamos e instruímos os índios por concitar ódio deles contra nós. E assim, se não se extinguir completamente esta peste tão perniciosa, não só não se poderá seguir na conversão dos infiéis mas terá de debilitar-se e diminuir cada vez mais.”
Este relato, é, talvez, o mais incisivo, em retratar o conflito de João Ramalho e sua prole com a Igreja; inclusive, demonstra o grau de libertinagem do clã de João Ramalho.

- Anchieta ao Pe. Inácio de Loyola, em 1555:
“Os cristãos nascidos de pai português e mãe brasílica de que fiz menção no último quadrimestre, estão tão duros e cegos que crescem estão cada vez mais o ódio duro que nos têm. Não o podendo exercer contra nós por obras, aplicam-no para a ruína dos índios de maneira que já destruíram completamente uma aldeia em que morava o Padre Francisco Pires e o Padre Vicente Rodrigues, incitando os índios a matar os contrários e a comer sua carne (...)”.

- Anchieta, em 1560, relata o falecimento de uma velha, que havia sido manceba de um português quase quarenta anos e ainda gerando muitos filhos;

Nestes relatos, podemos deduzir que João Ramalho teria vindo para o Brasil pelos idos de 1510; a informação de seu testamento, em 1580, e o relato de Pedro Corrêa, de 1551, corroboram nesse entendimento, cujas outras fontes, não são muito divergentes. Há também, uma forte relação de oposição de João Ramalho com os Jesuítas, muito provavelmente, diante da impossibilidade de seu casamento “formal” e seu “estilo de vida” divergente das normas sociais da época, além de, certamente, temor de perca de autoridade e poder. João Ramalho era uma autoridade de grande poder na recém-criada Borda do Campo, e, certamente, não aceitava dividir seu poder político no local.

Após a década de 1560, tornam-se escassas as citações a João Ramalho. Posteriormente, o que temos, é a menção de Silva Leme sobre a cópia de seu testamento, cuja posse deste manuscrito se encontrava com o “velho José Bonifácio”.

JÁ TEMOS UM BREVE ESBOÇO DA VIDA DE JOÃO RAMALHO NO BRASIL; MAIS QUAIS SERIAM AS SUAS ORIGENS EM PORTUGAL?

Pelas informações da cópia de seu testamento, temos:
- João Ramalho seria de Vouzela, Viseu, e, possivelmente, seria nascido em aproximados 1490, visto que, por volta de 1510, teria vindo ao Brasil.
- Seria filho de João Velho Maldonado e Catarina AFONSO (de Balbode), e casado, uma primeira vez, com Catarina Fernandes de Vacas, antes de vir para o Brasil.
- Além destas informações, sabemos que era parente do Pe. Paiva (Manuel de PAIVA), jesuíta em São Paulo. Seriam primos? Por qual via e sobrenomes existiria o parentesco?
- É interessante, verificar que dentre sua prole, há dois filhos com sobrenomes Quaresma e Macedo.
- Um fato “intrigante”, na vida de João Ramalho, é a assinatura deste. Bogaciovas, em seu livro (vide referências), cita que a mesma continha uma letra hebraica, o Kaf, que consiste em um “C” invertido. No Google, é possível encontrar a assinatura deste. Diversos genealogistas discutiram a questão, mas não há consenso. Mas, como o próprio autor indaga, como alguém, em tempos de inquisição, assinaria uma letra hebraica em seu nome sem o ser? A sua relação conflituosa com os Padres em São Paulo também podem indicar este entendimento. Muitos, poderiam deduzir que, dado o seu parentesco com o Pe. Paiva, seria oportuno descartar suas possíveis origens cristãs-novas. Isto é um considerável equívoco, visto que muitos padres e religiosos tinham ascendência cristã-nova próxima. Tais questões são amplamente discutidas por diversos autores.
- Pela assinatura, deduz-se que João Ramalho era alfabetizado.
As razões pelas quais João Ramalho teria vindo ao Brasil, abandonando a sua esposa, são misteriosas. É interessante sua origem no interior de Portugal, o que pressupõe que o mesmo não fora criado no litoral, em contato próximo com as naus portuguesas (suposição minha).

No intuito de investigar algum fato, no sítio da Torre do Tombo, fiz buscas, com os termos “Vouzela” combinado, de forma intercalada, com “Maldonado”, “Ramalho”, “Afonso” e “Paiva”. Os resultados encontrados na localidade de Vouzela, que me chamaram a atenção, foram:

- 1476: Perdão concedido por Afonso V a João Afonso, morador em Vouzela, quanto a pena de degredo, em razão de querela e malefícios causados a Aires Pires, ferreiro;
- 1487: Privilégio a um “João Ramalho” (não vi informação de localidade, e não há detalhes);
- 1490: Nomeação de Gonçalo Annes Ramalho como tabelião em Gestaço, e “perdão” (próximo a Lamego);
- 1496: Ofício de “enqueredor” concedido a Álvaro de Paiva, escudeiro, morador em Vouzela. Em outro documento, do mesmo ano, foi dada confirmação do ofício de Tabelião do Público e Judicial, no julgado de Lafões;
- 1496: Lopo Afonso, morador de Vouzela, recebeu confirmação do ofício de tabelião do público e judicial “nesse concelho”;
- 1497: Estevão de Paiva, escudeiro, morador de Vouzela, foi nomeado tabelião do público e judicial naquela vila e concelho, substituindo Pero Annes, que faleceu;
- 1498: Maria Afonso, natural de Vouzela, moradora nas Eiras, recebeu carta de perdão, visto que fora presa na cadeia e prisão da vila de Lafões, em razão de acusações de que era manceba de um clérigo de missa e abade de Santa Cruz, bispado de Viseu, chamado Balthazar de Siqueira;
- 1499: Instrumento assinado por Álvaro de Paiva, tabelião, apresentando Estevão de Paiva, escudeiro, morador em Vouzela, para lhe ser dado o cargo de distribuidor dos tabeliães do auto judicial no julgado de Lafões;
- 1499: Lopo Afonso, escudeiro do Rei, morador em Vouzela, tem mercê do ofício de tabelião do público e judicial no concelho de Lafões, “assim como foi Rodrigo Annes, que o dito ofício tinha e dele foi privado por Brás Afonso, ouvidor nesses concelhos, porque Rodrigo Annes havia 5 ou 6 anos que não servia;
- 1500: Álvaro de Paiva, escudeiro e morador de Vouzela, é nomeado por três anos escrivão da câmara do concelho;
- 1503: Eitor (sic) Afonso, morador em Vouzela, obtêm mercê do ofício de escrivão das sisas do Concelho de Mafães;
- 1512: Henrique Afonso, morador em Vouzela, recebeu privilégio de Espingardeiro em forma, por vaga de Antão Pires, ferreiro;
- 1513: Heitor Afonso, morador em Vouzela, do concelho de Lafões, nomeado escrivão dos direitos reais, em virtude de Estevão de Paiva, anterior titular do cargo, o não servir por muitos anos, porque fora para a Ilha da Madeira;
- 1517: Pedro Afonso, morador na vila de Vouzela, do concelho de Lafões, é nomeado porteiro das sisas deste concelho;

É interessante observar a existência de alguns “Afonsos” e “Paivas” em cargos de tabeliães e escrivães, em Vouzela, localidade de origem de João Ramalho, e, possivelmente, relacionada também ao Pe. Manuel de Paiva. Certamente, os que estão citados acima, são parentes de João Ramalho e/ou do Pe. Paiva. Não sabemos se estes “Afonsos” são apenas sobrenomes patronímicos ou possuem relações entre si.

Tais informações, apresentam apenas breves indícios sobre a origem de João Ramalho em Vouzela. Estas informações de Vouzela, dispostas cronologicamente, tem por objetivo incentivar pesquisadores, em especial, aqueles com acesso a Torre do Tombo e conhecimentos de paleografia, para tentar decifrar uma possível teia de parentescos entre esses Paivas e Afonsos, de onde pode surgir algum liame e pista sobre João Ramalho e o Pe. Paiva.


FONTES:

Genealogia Paulistana. Luiz Gonzaga da Silva Leme (1852-1919). Vol. IX – Pág. 65 a 107. Adenda Geral (Volumes 1 e 2). Disponível em: http://www.arvore.net.br/Paulistana/Adenda_1.htm


Instituto Camões – Língua – 4 – Dicionário de Tradutores e Intérpretes de Língua Portuguesa – João Ramalho. Artigo em: http://cvc.instituto-camoes.pt/olingua/04/lingua06.html


Bartira e João Ramalho nas Cartas Jesuíticas. Projeto Compartilhar. Cartas publicadas in: Leite, Serafim, Cartas dos Primeiros Jesuítas do Brasil, Ed 4º Centenário, Tipografia Atlântica, Coimbra, 1956. Disponível em: http://www.projetocompartilhar.org/bartiraejoaoramalho.htm


Bogaciovas, Marcelo Meira Amaral. Cristãos-Novos em São Paulo (Séculos XVI - XIX): assimilação e nobilitação – São Paulo: ASBRAP, 2015. 480 p. ISBN 978-85-918719-2-6.


Torre do Tombo (PT). Link para pesquisa: http://antt.dglab.gov.pt/pesquisar-na-torre-do-tombo/pesquisar-no-digitarq/

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Uma homenagem do Futebol a Genealogia!

Apesar do apreço por todos os meus antepassados, e por todos os troncos da Genealogia Paulistana, sempre tive grande "simpatia" ou "afinidade" especial com a família Leme, seja pela bela história de seus progenitores ousados e empreendedores, seja pela vasta e ilustre descendência no Brasil. Estes, eram perfeitos representantes daquela era: burgueses na Europa, guerreiros no Marrocos, povoadores da Madeira e agricultores/bandeirantes no Brasil. Esta família, seja, talvez, a que eu mais estude.

Além da Genealogia, o Futebol sempre foi um "ramo" de meu interesse. Em tempos de Copa do Mundo, nos gramados russos, brilhou a seleção belga, exibindo um futebol leve, bonito e ousado, vestindo uma bela camisa vermelha com detalhes amarelos, grená e seu fabuloso escudo.

Impossível não associar Brugges, a belíssima cidade medieval de Flandres, de onde partiu Maerten Leem (Martim Leme) para Lisboa, em meados do Século XV para plantar a semente dos Lemes em Portugal, e a seleção belga da atualidade. Os Lemes são uma "ponte" entre as nações e a ligação entre o passado, presente e futuro.

Então, eis a ideia: porque não encomendar uma camisa da Bélgica, com o nome do ilustre "avô"?! O número, propício: 63, em menção a 1463, ano da primeira expedição a Arzila, cujo Martim Leme (o pai), contribuiu financeiramente.

Está aí o resultado: 





Indicação de Livro (Os Prados, do Carmo da Escaramuça)


Prezados, nesta postagem de hoje, gostaria de divulgar uma obra, recém publicada, da genealogista Silvia do Prado Buttros, cujo título é “Os Prados do Carmo da Escaramuça”. O livro trata da ascendência e descendência do Capitão Manoel Ferreira do Prado e seus irmãos o Alferes Joaquim Luiz do Prado, e D. Joaquina Rosa da Silva, que foram pioneiros na região onde hoje é o município de Paraguaçu, MG.
A ascendência destes Prados, consiste em um João do Prado diferente daquele da Genealogia Paulistana, do tronco Prados. A origem destes Prados de Paraguaçu, cujo período é do início do século XVIII, é, surpreendentemente, flamengo-alemã! Todos os detalhes destes encontram-se na citada obra.
Os interessados na aquisição, devem entrar em contato com a autora da obra, através do e-mail pradosdaescaramussa@gmail.com



domingo, 8 de outubro de 2017

LEMES: Revisão Genealógica e Descendência

A família Leme, dentre as tratadas por Taques e Silva Leme, é, certamente uma das famílias mais célebres e conhecidas no Brasil. Sua descendência é extremamente vasta, principalmente na região centro-sul do país. E sua ascendência também é muito estudada, seja em Brugges - Flandres (atual Bélgica) seja em Portugal e Ilha da Madeira.
Em Portugal, antigos genealogistas, como Soeiro, Montarroyo e Gayo, estudaram a família. Sempre citavam a “nobreza desta família” e os muitos estudos existentes sobre a sua origem na atual Bélgica. Taques, nosso célebre pesquisador paulista, foi o primeiro “brasileiro” a estuda-la, na grande obra “Nobiliarchia Paulistana”, desenvolvida no século XVIII, com posteriores contribuições do cônego Roque de Macedo Leme e, mais tardiamente, Silva Leme, na clássica “Genealogia Paulistana”. Embora tais pesquisadores desenvolveram com grandiosidade a genealogia dos Lemes, principalmente quanto aos ramos paulistas, faltava-se exatidão nas origens da família na sua gênese em Portugal, Ilha da Madeira e Flandres.
Nestas genealogias, as dificuldades são peculiares. Há considerável repetição de homônimos, como “Martim Leme” e Antônio/Antão Leme. Os registros e datas escassos, e as viagens e transferências destes Lemes entre Flandres, Portugal e Ilha da Madeira só aumentavam as dúvidas e equívocos, gerando consideráveis incertezas. Na internet mesmo, há uma considerável “variedade” de genealogias dos Lemes. Eu mesmo, em postagem neste blog, realizada no dia 30/01/2016, sob o título “Os Lemes e a ligação aos Barros e Câmaras na Ilha da Madeira”, realizo longa reflexão sobre apenas uma das dúvidas acerca da família.
Felizmente, pesquisadores recentes/modernos, como Margarida Ortigão Ramos Paes Leme, Marta Amato, Douglas Fazolatto, Manoel Valente Borbas, Manuel Abranches de Soveral, Phillipe Garnier e os flamengos André Claeys e Ruud Lem desenvolveram trabalhos recentes, embasados em documentação concreta e sólida, que não só corrigem diversos erros das antigas genealogias como permitem entendermos a origem dos Lemes em Portugal (todos citados na Bibliografia), apesar de ainda existirem alguns “conflitos” nestas construções modernas.
Nesta postagem, o meu intuito é estudar os trabalhos dos pesquisadores citados, fazer uma revisão bibliográfica e construir um esboço familiar, compilando os estudos recentes, mas sem desprezar informações trazidas por antigos genealogistas. Não pretendo desenvolver a descendência paulista, visto que os mesmos já estão detalhadamente descritos nas obras de Taques, Silva Leme e na revisão de Marta Amato. O foco deste estudo será a gênese dos Lemes em Flandres, Portugal e Ilha da Madeira a partir da revisão literária dos citados estudos. A formatação deste estudo será no modelo que Gayo e outros antigos genealogistas utilizavam, em parágrafos e números. Além desta metodologia adota, esclareço a adoção de “numerar” homônimos, a minha maneira, no intuito de evitar equívocos e confusões.
Nos trabalhos de pesquisa, além das elucidações, surgem dúvidas. Enquanto escrevia este texto e as primeiras gerações dos Lemes, surgiu um questionamento: Mesmo com a reconhecida nobreza da família, poderia haver algum “vínculo” com cristãos-novos?
Segue o estudo:
LEMES:
§ 1
N1 – LEM GILLES é o primeiro “Leem/Leme” conhecido, mencionado em documento referente ao filho:
N.2: Lem Baldwin, que segue.


N2 – LEM BALDWIN, documentado em 1338, natural de Saint Winoksbergen, atual fronteira franco-belga. Este, foi pai de:
N.3: Guilhen (William) Lem, que segue.


N3 – GUILHEN LEM, natural de Saint Winoksbergen, nascido aproximadamente em 1365. Em 1383, com o ataque das tropas do Rei da França Carlos VI a S. Winoksbergen, teria deixado a localidade, imigrando para Brugges. Por volta de 1384, se casou com CLAIRE VAN BEERNEM, filha de JAN, Senhor de Beernem, fundadora da Capela de S° Juliano na Catedral de S. Donau em Brugges. Seus filhos foram:
N.4: Maerten Lem 1º, que segue.
N.4: [?] Karl Lem. Certamente, é o “Carlos Lems”, almirante na França, conforme descrito por Silva Leme. Genealogistas modernos não o confirmam.


N4 – MAERTEN LEM, nascido por volta de 1385 ou 1395, provavelmente em Brugges, foi moço da câmara de Maximiliano. Mencionado como benfeitor de muitas obras de caridade. Pesquisadores antigos e modernos, como Amato et al e Margarida Ortigão Paes Leme e até mesmo Silva Leme, em sua Genealogista Paulistana, não mencionam a esposa deste Maerten Lem 1°. Houve o filho:
N.5: Maerten Lem 1º (Martim Leme 1°), o PATRIARCA, que segue.


Brasão de Martim Leme 1º, in Margarida Paes Leme (2008)
N5 – MAERTEN LEM 1° (ou MARTIM LEME 1°) nasceu em Brugges, por volta de 1420. Assim como o pai, era dedicado a negócios. Durante o Reinado de Afonso V, em Portugal, mudou-se para Lisboa, provavelmente, pelos idos de 1440-45, com cartas de recomendação ao Rei de Portugal, irmão de Isabela, esposa de Felipe o Bom, Conde de Flandres. Certamente, nestes primeiros anos em Portugal, obteve Brasão de Armas, conforme exposto nos livros do armeiro-mór. Em 07 de junho de 1456, obteve o monopólio da compra e exportação de cortiça por dez anos. Em 1457, aparece como procurador de mercadores flamengos, holandeses e zelandeses em Lisboa, visto que falava português. Em 25/02/1463, se documenta como Escudeiro da Casa de D. Afonso V e morador da cidade de Lisboa, obtendo carta régia de licença de porte de armas para seis dos seus homens, como garantia de escolta de mercadores abastados. Martim Leme, ao que parece, junto com seus filhos, realizou também empreendimentos quanto ao açúcar na Ilha da Madeira, além de empréstimos ao Reino. Em 1463, junto com parceiros, ajudou a Coroa Portuguesa a financiar a primeira expedição de Tânger (fracassada), em mais de 3 milhões de Réis. Por volta de 1466, regressou a Brugges, com os filhos portugueses Antônio e Martim 2°. Em 1470, serviu de fiador do negociante João Esteves, referido como “mercador da nação de Portugal, morador na cidade de Brugges”. Em 1471, financiou, armou e enviou uma Urca na expedição de Afonso V contra Tânger e Arzila, capitaneada por seu filho Antônio. Não é conhecida a data e local de seu falecimento. Talvez, tenha se casado primeiro com uma “senhora BARROSO”, citada por Soeiro, e pesquisadores flamengos modernos, como Claeys e Ruud Lem. Na versão destes, o filho Martim Leme 2º (abaixo) seria fruto deste primeiro casamento. Entretanto, o mesmo, segundo Margarida Paes Leme, consta dentre os filhos legitimados na segunda união de Martim Leme 1º, e, por esta razão, prefiro seguir esta reconstituição, colocando Leonor Rodrigues como mãe do Martim Leme 2º. Certo e confirmado é que, entre aproximados 1450 até 1466, teria vivido em Lisboa, com LEONOR RODRIGUES, mulher solteira, falecida entre 1512 a 1521, tendo os seguintes filhos, legitimados em cartas na data de 06/09/1464:
N.6: Luís Leme.
N.6: Martim Leme 2°, que segue.
N.6: João Leme, nascido em 20/11/1459, em Lisboa. Faleceu em Funchal, na Ilha da Madeira. Foi enterrado no Convento da Igreja de S. Francisco.
N.6: Rodrigo (Ruy) Leme, nascido em 20/11/1460. Em 1494, aparece como Testemunha do TRATADO DE TORDESILHAS. Em carta de 19/09/1497, recebe o Foro de Cavaleiro, de D. Manuel. Foi rendeiro da Alfândega de Funchal. Faleceu antes de 1521.
N.6: Catarina Leme, casada, primeira vez, com Fernão Gomes da Mina. Viúva se casou segunda vez com João Rodrigues Paes, com descendência, em Portugal.
N.6: Isabela Leme. É citada na carta, mas não há informações sobre sua existência.
N.6: Maria Leme, casada em Lisboa com Martim Diniz, com descendência, em Portugal. Não é citada na carta, mas cogita-se a possibilidade de esta Maria Leme ser a mesma pessoa que Isabel Leme. Ou seria esta Maria Leme filha da “senhora Barroso”, suposto primeiro casamento de Martim Leme 2º? [Minha hipótese]
N.6: Antônio Leme. Sua Descrição e Descendência segue no § 2.



Quadro de Martim Leme 2º, em Bruges. Observa-se o Brasão, no canto, diferente de seu pai.
Reproduzido por Margarida Paes Leme (2008)
N.6: Martim Leme 2°, nascido em 12/11/1450, em Lisboa. Ao ir a Flandres, com o irmão, se casou em Setembro de 1467, em Louvain, com ADRIENNE VAN NIEUWENHOVE, nascida em 01/03/1448, filha de Nicolas van Nieuwenhove e Agnes de Metteneye, falecida em 1492. Silva Leme e outros genealogistas o fazem presente na Campanha de Arzila em 1471, com o irmão Antônio, mas não há comprovação de sua presença, ao contrário de seu irmão, cuja presença é documentada. Substituiu o pai em muitos dos negócios, em especial, em casas comerciais em Brugges, Lisboa e Ilha da Madeira. Algumas genealogias o fazem casado na Ilha da Madeira com Maria Adão, filha de Adão Ferreira, neta de Gonçalo Ayres Ferreira; no entanto, não há nenhuma comprovação formal/documental deste matrimônio. Se houve algum matrimônio de um Martim Leme com uma Maria Adão na dita ilha, este pode, talvez, se referir ao seu seu sobrinho homônimo, filho de Antônio Leme. Foi burgomestre de Brugges, tutor do Hôpital de La Potterie [onde há o seu quadro] e dirigiu importante casa comercial. Foi também conselheiro, mordomo e camareiro do arquiduque Maximiliano da Áustria. Nos períodos de 1472-73, 1477-78 e 1480-81 foi burgomestre. Em 1477, instituiu, com a mulher a capela de Nôtre Dame de La Miséricorde na Igreja de Saint Donatien. Seu último mandato foi marcado por crises de escassez de grãos e aumento da pobreza, o que o tornou impopular, e, por isso, exilou-se de Brugges. Segundo Garnier, neste período, possivelmente, esteve na Ilha da Madeira, em dezembro de 1481, jogando cartas por dinheiro. Logo após este episódio, em 18/02/1482, já em Bruges, ofereceu um banquete em honra de Maximiliano da Áustria, acompanhado de sua esposa Maria de Borgonha e Margarida de York, terceira esposa de Carlos, o Temerário. No dia seguinte, chegou um grande carregamento de grãos no porto de Bruges. Este Martim Leme, passou por problemas para honrar compromissos com fornecimento de trigo na Ilha da Madeira, e foi pressionado pelas autoridades locais, mas, o mesmo não estava mais presente na ilha e praticamente não tinha bens na dita ilha, e priorizou o fornecimento em Bruges, local onde concentravam-se suas posses e gozava de prestígio político junto a nobreza flamenga. Mesmo assim, em 1483, é demitido de suas funções em Bruges, muito em razão das desordens e rebeliões populares, devido a questões de abastecimento. Em Faleceu em 27/03/1485, em Louvain, sendo sepultado na Igreja de São Donato, em Brugges.
NOTA: Algumas genealogias, em especial, modernas (Margarida Paes Leme, Marta Amato, Soveral entre outros) de autores flamengos, colocam esta Adrienne van Nieuwenhove se casando com o Martim Leme 1º, logo após seu retorno a Bruges, pai deste Martim Leme 2º, muito em razão de registros de 1481 mostrarem um Martim Leme jogando cartas na Ilha Madeira, além de Henrique Henriques de Noronha informar a existência um Martim Leme casado com Maria Adão Ferreira na dita ilha. No entanto, vou seguir aqui a opinião dos pesquisadores estrangeiros André Claeys e Garnier. Este último, em publicação na revista da ASBRAP, apresentou argumentos sólidos e críveis para entendermos este Martim Leme 2º de Bruges, como o mesmo indivíduo que esteve na Ilha da Madeira em 1481. Inclusive, nas versões supra citadas, que dão Martim Leme 1º c.c. Adrienne van Nieuwenhove e seu filho Martim Leme 2º na Ilha da Madeira, é extremamente curioso o falecimento de pai e filho por volta de 1485, “coincidentemente”. Além disso, este Martim Leme com cargos em Bruges e casado com Adrienne, em seu quadro na dita cidade, demonstra ter um brasão diferente do Martim Leme 1º, ou seja, se há divergência heráldica, certamente são indivíduos diferentes. Estes são sólidos argumentos em favor da tese de Garnier, na minha opinião. O referido pesquisador, em artigo da ASBRAP, expôs uma linha do tempo que mostra como os eventos envolvendo um Martim Leme na Ilha da Madeira e um Martim Leme em Bruges são correlacionados e certamente se referem ao mesmo indivíduo, no caso, Martim Leme 2º.
Martim Leme 2° e Adrienne tiveram os seguintes filhos:
N.7: Charles Lem. Nascido em 12/01/1468 [Foi concebido antes do casamento dos pais?], ocupou cargos na Administração de Brugges, em altos cargos. Se casou em 1503 com Cornélia Veyse, filha de Jan Veyse e Isabela de La Douve. Tiveram uma filha, Adrienne Lem, que se casou duas vezes, mas, sem geração.
N.7: Eleonore Lem. Nascida em 1469, casou-se com Charles De Clercq, Cavaleiro. Tiveram uma filha, Adewyck De Clercq, casada com o Cavaleiro Luís Van Heileweghe, Senhor de Sart.
N.7: Adriaan Lem. Nascido em 02/05/1470, falecido em 17/11/1502. Ocupou cargos e ordens em Brugges. Se casou com Margaret Ritsaert, mas não é documentada geração deste casamento.
N.7: Adrienne Lem. Gêmea do antecessor. Sem informações.
N.7: Jean Lem. Nascido em 09/05/1472, também ocupou posições elevadas na administração de Brugges. Casou-se com Josine Van Wulfsberghe, mas, sem filhos.
N.7: Marie Lem. Nascida em 03/06/1473, falecida em 08/04/1521. Casou-se com Willem Hugonet, de Ypres. Com geração e descendência.
N.7: Martine Lem. Nascida em 1474, falecida em 1511. Casou-se com Rolando Van Moerkerke. Com geração e descendência.
N.7: Agnes Lem. Casou-se com Jan Pascal. Ao que parece, houve três filhos do casal, dos quais dois seguiram vocação eclesiástica.
N.7: Catherine Lem. Casou-se em 05/05/1497, com Peter Van Der Meersch. Com descendência.
N.7: Martim Lem 3°, que segue.


N.7 Martim Lem 3º, filho de Maerten Lem 2º, N 6 do § 1, nascido em 08/09/1476, falecido em 15/10/1539, foi conselheiro de Bruges em 1505 e 1532 e obteve as mais altas posições administrativas em Bruges. Se casou duas vezes. A primeira, com Catharina D'Hamere, falecida antes de 1529, filha de Jan D'Hamere, cavaleiro. Posteriormente, em 1538, casou-se com Joana van Ydeghem, falecida em 04/10/1595, em Saint Andries. Do primeiro matrimônio, houveram os filhos:
N.8: Cornelia Lem;
N.8: Ludovicus Lem;
N.8: Catharina Lem;
N.8: Claudine Lem;
N.8: Louisa Lem;
N.8: Joannes Lem;
N.8: Maerten Lem IV, que segue.



Quadro de Maerten Lem 4º, em Bruges. Reproduzido por André Claeys (2012)


N.8 Maerten Lem 4º, filho de Maerten Lem 3º, N 7 do § 1, nascido por volta de 1516, falecido em 13/07/1597, Bruges, foi o mais proeminente Leme, em Bruges. Foi membro da Congregação do Sangue Sagrado (Holy Blood) em 1553, Prefeito de Bruges e Schepenen em diversas administrações entre 1560 e 1585. Foi casado, primeira vez, com Catharina van Hecke. Segunda vez, em 1579, com Barbara De Boodt, falecida 23/06/1615.
Do primeiro matrimônio, surgiu vasta descendência, presente em Flandres. O pesquisador André Claeys, em seu trabalho, desenvolveu a continuidade da linhagem em Bruges.


LEMES DA ILHA DA MADEIRA



Brasão de Antônio Leme, in Margarida Paes Leme (2008)
§ 2
N.6 ANTÔNIO LEME, filho de Martim Leme 1º, no § 1 N 5, nasceu por volta de 1450, em Lisboa. Em 1466, aproximadamente, foi para Brugges, com o pai, possivelmente acompanhado do irmão Martim Leme 2º. Em razão desta viagem, recebeu a alcunha de “o flamengo”, apesar de ser português. Em 1471, foi capitão da urca enviada por seu pai a Tânger e Arzila, no Marrocos. Em 12/11/1471, recebeu Carta de Brasão de Armas de D. Afonso V, por seus serviços na guerra, diferenciando-se de seu pai na Heráldica. Posteriormente, imigrou para o Funchal, na Ilha da Madeira, com o objetivo de continuar os negócios açucareiros da família. Foi vereador diversas vezes, entre 1485 e 1491. Conforme documentos, teria falecido após 1514. Na Ilha da Madeira, se casou com CATARINA DE BARROS, filha de PEDRO GONÇALVES “DA CLARA” e IZABEL DE BARROS. Tiveram os seguintes filhos:
N.7: Martim Leme. Sem maiores informações. Talvez, este seja o Martim Leme da Ilha da Madeira, casado com Maria Adão Ferreira. Ou, pode ser este o Martim Leme que fora surpreendido no Funchal jogando cartas, ao invés de ser seu tio homônimo, Martim Leme 2º. Não há informações seguras sobre a vida deste Martim Leme, filho de Antônio Leme.
N.7: Pedro Leme, falecido em 1556.
N.7: Aleixo Leme, c.c. Mécia de Melo. Falecido em 1544.
N.7: Rui Leme, c.c. Leonor Vieira, e, posteriormente, com Maria Franco. Falecido em 1566.
N.7: Antônia Leme, c.c. Pedro Afonso de Aguiar. Com descendência.
N.7: Leonor Leme, c.c. André de Aguiar. Este era irmão de Pedro Afonso de Aguiar, supra. Ambos os casais foram citados na sentença de abonação e fidalguia de Pedro Leme, sobrinho-neto destes, no documento de 02/10/1564. A descendência do casal encontra-se na obra de Gayo, no título de Aguiares, § 1 N 6.
N.7: Antão Leme, com descendência no § 3º.


§ 3
N.7 ANTÃO LEME, filho de Antônio Leme, no § 4 N 6. Embora não seja citado no Nobiliário da Ilha da Madeira, de Henrique Henriques de Noronha, sua filiação é indiretamente citada, no instrumento de fidalguia de seu filho, Pedro Leme, quando este menciona Antônia e Leonor Leme como irmãs de seu pai. Teria nascido por volta de 1490-95, na Ilha da Madeira, e, possivelmente, ainda jovem, teria ido ao continente. Por esta razão, memórias posteriores, que serviram bibliograficamente a Henrique Henriques de Noronha, podem tê-lo omitido. Na Ilha da Madeira, ou, no continente, teve o filho Pedro Leme, com mulher desconhecida. Ao que parece, viveu em Óbidos, arredores de Lisboa, e, por volta de 1542-43, mudou-se para o Brasil, com o filho, Pedro Leme, a nora, Luzia Fernandes e a neta, Leonor Leme. Em 1544, foi Juiz Ordinário em São Vicente, e foi sócio do Engenho de São Jorge de Erasmos. Seu filho:
N.8: Pedro Leme, abaixo.
LEMES “BRASILEIROS”
N.8 PEDRO LEME, filho de Antão Leme, supra, nasceu na Ilha da Madeira ou em Óbidos, Lisboa, provavelmente, entre 1515-20. Silva Leme e outras genealogias, mencionam um primeiro casamento com ISABEL PAES, mas, certamente, o mesmo não ocorreu, visto que não há menção em seu testamento deste primeiro casamento e suposto filho, que seria Fernão Dias Paes. Se o mesmo realmente tivesse um filho varão, jamais esqueceria de citá-lo em seu testamento. Marta Amato, em sua revisão da Genealogia Paulistana, faz tal observação. Em Óbidos, se casou com LUZIA FERNANDES, natural de São Mamede, Óbidos, filha de FERNANDO EANES. Em 1542, Luzia Fernandes vendeu as propriedades herdadas do pai, consistindo de vinhedos, terras e casa, em Óbidos, e veio com o marido e a filha para São Vicente. Em 02/10/1564, obteve instrumento de nobreza. Também foi sócio do Engenho S. Jorge de Eramos, junto com seu genro, Brás Esteves. Por volta de 1591, teria se mudado para São Paulo, visto a decadência do setor açucareiro e incursões de piratas ingleses no litoral paulista, em especial, do corsário Thomas Cavendish. Luzia faleceu antes de 1592, e, depois, Pedro Leme se casou, pela terceira vez, com GRACIA RODRIGUES, filha de GASPAR RODRIGUES DE MOURA. Pedro Leme, em 27/03/1600, teve seu inventário aberto/iniciado. Não sabemos, precisamente, a data de seu falecimento, mas, sabe-se, através da transcrição de seu testamento no Projeto Compartilhar, que o mesmo estava cego, entre 1592-96, com idade relativamente avançada (mais de 70 anos), para os padrões da época. Quanto aos bens, deixados em herança, além das “roupas usadas e pouca tralha de casa”, deixou 50 cruzados referentes a venda de um escravo, de nome Diogo, e 3 $ 520 em moedas de ouro. Seus filhos:
Do 1º matrimônio, com Luzia Fernandes:
N.9: Leonor Leme, cuja descendência segue.
Do 2º matrimônio, com Gracia Rodrigues:
N.9: Antônia


N. 9 LEONOR LEME, “a velha”, filha de Pedro Leme, acima. Nasceu em Óbidos, em aproximados 1540, imigrando para o Brasil com os pais e o avô Antão Leme, aos 2 anos de idade. Em São Vicente ou São Paulo, casou-se com BRÁS ESTEVES, provavelmente paulista, filho de um Paulo Rodrigues, segundo pesquisas recentes expostas no sítio do Projeto Compartilhar. É equívoca a informação de antigas genealogias, onde Brás Esteves seria português e o casamento de ambos teria ocorrido na Ilha da Madeira. Seu inventário/testamento é datado de 31/01/1633, estando Leonor Leme ainda viva, com aproximados e impressionantes 93 anos de idade. Todo o seu patrimônio foi avaliado em 115 $ 580. Leonor Leme é a matriarca dos Lemes paulistas, onde seus filhos constituem os capítulos da Genealogia Paulistana. Seus filhos foram:

N.10: Pedro Leme, na G. Paulistana, TTº Lemes, Capº 1º
N.10: Matheus Leme, na G. Paulistana, TTº Lemes, Capº 2º
N.10: Aleixo Leme, na G. Paulistana, TTº Lemes, Capº 3º
N.10: Brás Esteves Leme, na G. Paulistana, TTº Lemes, Capº 4º.
N.10: Lucrécia Leme, na G. Paulistana, TTº Lemes, Capº 5º.


NOS CAPÍTULOS ACIMA CITADOS, CONSTA A DESCENDÊNCIA DOS LEMES, NA GENEALOGIA PAULISTANA, DE SILVA LEME. NAS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS, O LEITOR PODERÁ ACESSAR O LINK PERTINENTE A CITADA OBRA.

UMA REFLEXÃO: TERIAM OS LEMES ASCENDÊNCIA JUDAIZANTE/CRISTÃ-NOVA?
Gonçalves Salvador, em seu livro “Os Cristãos-Novos” (vide referências), na página 34 da referida obra, cogita uma possível “ascendência judaizante” dos Lemes, em especial, via Leonor Rodrigues. Vejamos, por exemplo, a citação abaixo:
“Muitos, pois, dos fidalgos que viveram outrora em nosso país não eram de pura linhagem cristã-velha e alguns, até, haviam-se nobilitado recentemente, a exemplo dos Leme, dos Cubas e, sobretudo, dos Correia de Sá, relacionados com as Capitanias do Sul. Martim Leme, tronco da família, vivera em Bruges, entregue ao comércio com o parceiro Pero Dinis. Suas transações efetuavam-se com negociantes hebreus, especialmente. Por volta de 1456 fixou morada em Lisboa, e teve de Leonor Rodrigues, mulher solteira e talvez judia, sete filhos, legitimados por cartas régias em 1464, onde, então, é qualificado como escudeiro do rei.” (p. 34)
Os autores modernos, jamais cogitaram a ascendência cristã-nova por parte dos Lemes, muito provavelmente, em razão da comprovação de nobreza/fidalguia de Pedro Leme e o próprio status quo desses Lemes em Portugal e Flandres. No entanto, creio ser interessante e oportuna uma reflexão, embasada em alguns pontos.
  1. Martim Leme “1º”, veio de Flandres, e, em Lisboa, antes de 1463, obteve uma carta de brasão de armas, e aparece, em Portugal, como representante de comerciantes flamengos, holandeses e zelandeses, muito em razão de poder comunicar-se em ambos os idiomas. Além disso, conforme citações no trabalho de Margarida Ortigão Paes Leme, o mesmo parece ter certo trânsito em negócios com mercadores judeus, e também aparece em empréstimos ao Reino de Portugal. Em Lisboa, ele tem filhos com uma Leonor Rodrigues, mulher solteira. É interessante notarmos que o mesmo não se casou em Portugal, e talvez tenha retornado a Bruges acompanhado de seus filhos Antônio e Martim, deixando a dita Leonor em Portugal, ainda em vida, com os filhos. Quem seria esta Leonor Rodrigues?
  2. Antônio Leme, filho do casal Martim Leme 1º e Leonor Rodrigues, em 12/11/1471, junto com centenas de outros homens, recebeu C.B.A., diferenciando-se, na heráldica, de seu pai. O documento, obviamente, foi uma forma da Coroa Portuguesa “agradecer” a seus homens os serviços em Tânger e Arzila. Em resumo: A C.B.A. de Antônio Leme não foi um “privilégio” exclusivista de elevada nobreza, mas sim uma “gratificação” em honra de sua participação na campanha militar.
Portanto, verifica-se que não há nenhuma “fidalguia genuína e antiga” nos Lemes, em especial, quanto ao Antônio Leme e seus irmãos portugueses. No próprio instrumento de nobreza de Pedro Leme, no Brasil, são citados os casamentos de suas tias Antônia e Leonor Leme, com os irmãos Aguiar, o que não deixa de ser curioso. Estes Lemes, eram comerciantes e homens de negócios de origem estrangeira, ricos, ousados, e que muito contribuíram para o Reino. Suas ascendências maternas, quando lusitanas, são obscuras/desconhecidas. Os filhos de Martim Leme 2º e Antônio Leme possuem grande mobilidade dentro do Reino, seja no continente, seja na Madeira, seja no Brasil. Nos negócios, aparecem como credores do Reino em empréstimos, monopolistas no comércio de cortiça e presentes no ramo açucareiro na Ilha da Madeira e São Vicente. Nestes locais, se relacionam, em matrimônios, com senhores e proprietários locais, integrando-se nas mais “seletas” famílias. Este modus operandi, marcado por grande dinamismo, com membros de uma família em localidades diferentes, em campos de atuação distintos, mas, com o açúcar entre eles e a prestação de serviços “de usura” ao Reino é, de fato, semelhante à atuação de judeus e cristãos-novos neste período.
Diante das razões aqui expostas, creio ser pertinente as suspeitas elencadas por Gonçalves Salvador, sobre uma possível origem judaizante dos Lemes. No entanto, são apenas SUSPEITAS. Para todos os efeitos, os Lemes são devidamente Nobilitados em Portugal, e, integrados em altos círculos sociais e da nobreza, seja nas terras lusas, seja em Flandres.


FONTES:
OBRAS MODERNAS:


Salvador, José Gonçalves. Os Cristãos-novos: povoamento e conquista do solo brasileiro, 1530-1680. São Paulo, Pioneira, Ed. Da Universidade de São Paulo, 1976. (Biblioteca pioneira de estudos brasileiros). CDD-981.021-301.45296081

Martin Lem(e), a carta do Duque, o Contrato de Trigo, Bruges e Madeira. Philippe Garnier. Revista da ASBRAP nº 12. Pág. 55 a 82. ISSN 1809-2446.

Os Lemes – um percurso familiar de Bruges a Malaca. Margarida Ortigão Ramos Paes Leme. Seminário de História Política do Mestrado em História, área de História e Arqueologia Medievais, no ano letivo de 2005-2006. SAPIENS - Revista de História, Património e Arqueologia, n.º 0, 2008. Página 27. Disponível em: http://www.revistasapiens.org/Biblioteca/numero0/ oslemes.pdf

Antão Leme e Pedro Leme rumo ao Brasil. Margarida Ortigão Ramos Paes Leme. Revista da ASBRAP nº 22. Pág. 09 a 20. Disponível em:
http://www.asbrap.org.br/areavip/arquivos/b-%20Ant%C3%A3o%20Leme%20e%20Pedro%20Leme%20rumo%20ao%20Brasil.pdf


Genealogia Paulistana - Luiz Gonzaga da Silva Leme (1852-1919) – REEDIÇÃO COORDENADA POR M. AMATO, 2012

Vol 10 – páginas 154 e 155 – Correções e acréscimos ao TTº Lemes, vol. 2º, pág. 179 (de Silva Leme), feitas por 

Douglas Fazolatto, Manoel Valente Borbas e Marta Amato.





BASE GENEALÓGICA ROGLO. Páginas Consultadas: António Leme, Martim Leme (irmão), Leonor Rodrigues, Martim 

Leme (pai), Martim Leme (avô). Autores: Manuel Abranches de Soveral e D. Bataille [em consulta a 

obras complementares]. Base Roglo: http://roglo.eu/roglo




Quadro genealógico dos “LEM B01 BRUGGE”, de Ruud Lem. Elaboração: Novembro de 2012.





Geschiedenis van de Brugse Lem/Lems (1337-1900). André L. Fr. Claeys. De Luso-Vlaamse afstammelingen Leme van 

ridder Lem Maerten I (1385-1471). Wereldwijd verspreid sinds 1470. Brugge, 2012. Disponível em:

http://www.bparah.azores.gov.pt/genealogias/genealogias+a.clayes/pdfs/andre_claeys-

geschiedenis_van_de_brugse_Lem_(1337-1900)-%5Bnieuw2012%5D.pdf

OBS: utilizei o Google Tradutor, para a transcrição dos textos em flamengo para o inglês.


A Conquista de Arzila pelos portugueses – 1471. Paulo Alexandre Mesquita Dias. Dissertação de Mestrado em História. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FACSH). Universidade Nova de Lisboa – Outubro 2015.

PROJETO COMPARTILHAR. Disponível em: http://www.projetocompartilhar.org/
Consulta realizada em 23/08/2017. TRABALHOS CONSULTADOS:
Pedro Leme: Inventário e Testamento
Inventário e Testamento de Leonor Leme, a Velha
Justificação de Pedro Dias Paes Leme


OBRAS ANTIGAS:

Nobiliário da Ilha da Madeira, de Henrique Henriques de Noronha in SITE do Capitão Domingos da Silva e Oliveira. Disponível em: http://capitaodomingos.com/o-o-leme-na-nobiliarquia-nobiliario-genealogia-da-ilha-da-madeira-nao-tem-antao-leme/

Nobiliarquia Paulistana Histórica e Genealógica. Pedro Taques de Almeida Paes Leme. Tomo III. Título LEMES. Editora: USP. Ano: 1980. OBS: A obra original, é do Século XVIII.

GAIO, Felgueiras, 1750-1831
Nobiliário de famílias de Portugal / Felgueiras Gaio. - [Braga] : Agostinho de Azevedo Meirelles : Domingos de Araújo Affonso, 1938-1941 (Braga : : Pax). - 17 v. : il. ; 30 cm; Digitalizado e disponível em: http://purl.pt/12151

Genealogia Paulistana - Luiz Gonzaga da Silva Leme (1852-1919). Vol II - Pág. 179 a 229 - Tit. Lemes (Parte 1) – Versão 

antiga/original – Digitada e disponível em: http://www.arvore.net.br/Paulistana/Lemes_1.htm